Amazonas: desafios para quem depende dos rios

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As previsões sobre a cheia, a seca dos rios e estação chuvosa

Após dois anos consecutivos de estiagem severa, previsões apontam que o Amazonas deve enfrentar uma estação de seca menos intensa em 2025, conforme dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Apesar disso, especialistas alertam que os impactos ambientais no estado ainda podem ser sentidos no cotidiano das populações humanas, assim como na fauna e flora da região.

Segundo a Defesa Civil, os anos de 2023 e 2024 registraram , cada, mais de 600 mil pessoas afetadas em todo o estado. Em ambos os períodos, as emergências humanitárias e dificuldades logísticas foram destaque, além dos impactos ambientais, como o número inédito de botos encontrados mortos em lagos de Tefé, município no interior do Amazonas.

A pesquisadora e moradora do local, Hilda Chávez, relembra ter presenciado momentos desesperadores nos dois períodos.

Uma das coisas que eu poderia mencionar foram [as] evidências claras das mudanças climáticas que a gente vem anunciando – os pesquisadores, as associações de meio ambiente que estão se preocupando com esta situação que está cada vez se agravando mais. E foi muito marcante […] Os recursos que a gente utiliza no dia a dia ficaram cada vez mais escassos, teve um aumento dos valores dos produtos no comércio, o translado que tinha em ambas estiagens, foi muito desesperador em algum momento porque a gente depende na maior parte do translado por meio da via aquática, dos rios […]. 2023 e 2024 pros botos foi uma situação muito complicada, não se tinha registro nenhum, em nenhum dos anos, de uma mortandade tão forte como a de 2023. […] Mais de 200 animais [carcaças] é uma coisa muito complicada poder explicar o que foi, o que aconteceu”. 

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a previsão é que o volume de chuva seja acima da média histórica em grande parte do oeste e sudeste do Amazonas, ao longo de novembro de 2025. Os meses de outubro e novembro marcam a transição para a estação chuvosa. Segundo Renato Senna, meteorologista e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), as previsões indicam uma possível estabilização desta estação.

Nós estamos mudando de estação da seca para chuvosa. Então, nessa época, a gente tem muita energia, é comum a gente ter um dia ensolarado e logo após vir, uma chuva muito forte, acompanhada de trovoadas e de rajadas de ventos.”

O pesquisador ainda explica que as mudanças vivenciadas na cidade são comuns para o período do ano, no entanto, houve um esquecimento da população de como é viver em época de transição de estação.

“Em 2023, quando começou a ‘Grande Seca’, que a gente viveu até meados deste ano, a gente passou por períodos praticamente sem grandes precipitações de chuva. Todo o segundo semestre de 2023, todo o ano de 2024 e ainda boa parte desse ano de 2025. […] A gente perdeu essa sensação dessa mudança de estação. A última que aconteceu desse jeito foi no ano de 2022. A expectativa é que essas chuvas continuem nesse movimento durante boa parte do mês de novembro e somente em dezembro ela se estabilize.”

Às vésperas da COP 30, as discussões sobre as estações e fenômenos climáticos revelam alguns dos impactos sociais, logísticos e econômicos enfrentados pela região sediadora do evento. Para Hilda, é importante destacar as incertezas nas previsões sobre a cheia e seca dos rios, assim como as possíveis implicações deste cenário. 

Então essas estiagens, estas mudanças tão drásticas que estão se tendo, vão continuar afetando tanto a população dos humanos quanto a população da fauna, da flora […] acredito que essas mudanças de seca, cheia, enchente, vazante, essas estações são essenciais para o bom funcionamento do ambiente, principalmente do bioma Amazônia, e todo extremo sempre causa conflito. […] pelo que eu entendo, as mudanças não vão ter um padrão tão padronizado como os antigos contam que sabiam exatamente qual era a data que o nível do rio ia começar a descer. Agora ninguém sabe. […] Ano passado teve muita seca, esse ano não foi tão seco, próximo ano pode também mudar. Sei que as populações locais, os ribeirinhos, dependem muito dessas mudanças do nível do rio […] e isso afeta também as populações da fauna, os botos, os peixes-bois, as ariranhas, todos eles também têm suas situações. […] a gente tem que sempre estar preparado pra situações extremas porque elas vão ser mais frequentes”.

Por: Kamilly Pequeno e Liandre Coutinho

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